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Beatriz Bracher, Antônio Arnoni Prado e outros autores recebem o Prêmio Rio de Literatura

 12/07/2016 - 16:40h - Atualizado em 12/07/2016 - 16:58h

Cerimônia de premiação reuniu o Ministro da Cultura, a Secretária de Estado de Cultura do Rio, o presidente da ABL e outras personalidades na sede da Fundação Cesgranrio, na noite de segunda-feira


Diferentemente dos tradicionais eventos de distinções literárias, a primeira cerimônia de entrega do Prêmio Rio de Literatura reuniu os quatro vencedores, os curadores e idealizadores numa grande conversa sobre a importância e o reconhecimento da literatura, na noite de segunda-feira, na sede da Fundação Cesgranrio, no Rio Comprido. O prêmio, lançado em setembro de 2015, é uma iniciativa inédita da Superintendência da Leitura e do Conhecimento da Secretaria de Estado de Cultura, em parceria com a Fundação.

  

A amplitude do prêmio, que apesar de ter sido criado no Rio abrange a produção dos escritores de todo estados, foi destacada por todas as autoridades que participaram da premiação e da mesa de abertura do evento, composta pelo ministro da Cultura, Marcelo Calero; pela secretária de estado de Cultura do Rio, Eva Doris Rosental; pelo presidente da Academia Brasileira de Letras, Domício Proença Filho; pelo presidente da Fundação Cesgranrio, Carlos Alberto Serpa; pelo reitor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Luiz Pedro Jutuca; e pelo acadêmico e um dos curadores do Prêmio Arnaldo Niskier.

 

  

Clara Ferrer (à esquerda), Antônio Arnoni Prado, Beatriz Bracher e Izabela Leal (à direita) participaram da cerimônia de entrega do Prêmio Rio de Literatura, na Fundação Cesgranrio (Foto: Claudio Pompeu / Fundação Cesgranrio)

 

 Beatriz Bracher conquistou o prêmio da categoria Ficção, na modalidade Melhor Obra Publicada, com o livro "Anatomia do paraíso" (Editora 34), enquanto Antonio Arnoni Prado ficou com o primeiro lugar na categoria Ensaio, com o livro "Dois letrados e o Brasil Nação" (Editora 34). Cada um receberá R$ 100 mil pela conquista. Izabela Guerra Leal foi a grande vencedora da modalidade Melhor Novo Autor Fluminense, com o livro "A intrusa", e receberá R$ 10 mil. Clara Ferrer ganhou Menção Honrosa Novo Autor Fluminense pelo livro "Amores monstruosos". No total, 35 editoras de todo o Brasil inscreveram autores e mais de 600 escritores disputaram o prêmio.

 

 Ex-secretário de Cultura do município do Rio e recém-empossado ministro, Calero ressaltou a importância de parcerias público-privadas como um dos pontos principais para o desenvolvimento da cultura:

  

"Destaco a parceria público-privada porque a construção da cultura e o investimento para que a sociedade possa se desenvolver a partir das artes são uma atribuição de todos os segmentos da sociedade", afirmou Calero.

 

 Além de exaltar a obra de cada um e anunciar o nome dos vencedores, a secretária de estado de Cultura também enalteceu o sucesso da premiação em parceria com a Cesgranrio e afirmou que o prêmio veio para ficar:

  

"Hoje é o primeiro de muitos frutos que estamos colhendo juntos, tanto a Secretaria de Estado de Cultura do Rio quanto esta instituição que há anos se dedica à formação, à educação e também à cultura. Nada mais natural, portanto, do que este momento que estamos vivendo aqui, hoje, para o Estado do Rio, para o Brasil e para a literatura brasileira que este estado reconhece. É uma conquista esse prêmio, e ele veio para ficar", disse Eva Doris Rosental, sob aplausos dos que acompanhavam a premiação.

 

 Carlos Serpa foi breve e destacou a importância da iniciativa:

  

"Este é um prêmio à altura do Estado do Rio de Janeiro e que homenageia a literatura brasileira. Esta mesa mostra o apoio efetivo e o reconhecimento das universidades e da Academia Brasileira de Letras", disse o presidente da Fundação.

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'É UM ATRAVESSAMENTO DE VOZES'

  

O reconhecimento da ABL estava na presença de Domício Proença Filho, presidente da instituição, que conduziu a conversa com os vencedores do prêmio, auxiliado na mediação pela crítica e pesquisadora Beatriz Resende, doutora em Literatura Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Em um intenso discurso, a autora de "Anatomia do paraíso" e uma das criadoras da Editora 34, Beatriz Bracher, de 55 anos, contou de forma íntima os detalhes do processo criativo da narrativa, cuja escrita começou em 2009. O tom confessional emocionou a plateia:

 

 "Escrever o abuso da menina de rua foi uma das coisas mais intensas que já vivi. Fui todos os personagens: a menina, o menino, os dois homens e Félix. Senti fome, medo, humilhação, ganância, excitação com o sofrimento alheio, prazer na crueldade e culpa. É vergonhoso reconhecer isso, porque são sentimentos escabrosos e compreender sua existência já é uma violência", disse Beatriz.

 

 Em seguida, Arnoni Prado, também emocionado, afirmou que a conquista do Prêmio Rio de Literatura era especial porque, para ele, significava o reconhecimento de sua obra. O pesquisador, de 73 anos, venceu com o ensaio "Dois letrados e o Brasil Nação" (Editora 34), onde contrapõe as trajetórias dos historiadores Sérgio Buarque de Holanda e Manuel de Oliveira Lima.

  

"É preciso iluminar a vida de vários autores, antropólogos e historiadores que pensaram sobre o Brasil. Já estou com mais de 70 anos e pesquiso desde os anos 70. Esse prêmio é um reconhecimento da minha obra", afirmou o autor.

Depois da "ala paulista", como Domício Proença dividiu com bom-humor o time de vencedores, foi a vez das cariocas Izabela Leal, de 47 anos, ganhadora na categoria novo autor fluminense, e Clara Ferrer, de 28, que recebeu uma menção honrosa, falarem sobre seus livros.

 

 "Eu precisava escrever sobre essa experiência e entrar nesse embate com essa voz intrusa. A escrita me parece que é feita o tempo todo por um atravessamento de outras vozes, e precisamos ampliar essas vozes na literatura", contou Izabela, carioca que mora no Pará há sete anos e vai ganhar uma tiragem de 3 mil exemplares de seu livro, além dos R$ 10 mil em dinheiro.

 

 

Clara, vencedora da menção honrosa, que não estava prevista no edital, encerrou a mesa de forma divertida a partir de uma provocação literária do presidente da ABL. Sabendo que, além de nova autora, a ganhadora também é estudante de Cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF), Domício não resistiu em perguntar:

 

 "Posso te provocar aqui, Clara? Eu tenho que perguntar: uma imagem vale mais do que mil palavras?"

 

 Clara não titubeou na resposta:

  

"Eu me sinto um pouco um peixe fora d'água, porque não sou escritora, não sou desse mundo, sou estudante de Cinema.Mas toda história começa com uma palavra. Em uma imagem há mil palavras", disse a estudante. 




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