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    #EspecialPersonagens: artistas fluminenses se reinventam durante a pandemia 


    15 de setembro de 2020

    Por Julia de Brito

    A profissional de dança, Laís Castro dos Santos, de 28 anos, moradora de Campo Grande, na zona Oeste do Rio, ficou sem chão quando sua agenda de trabalhos foi cancelada na pandemia. A notícia de que ficaria sem dinheiro para pagar as contas fez com que ela tivesse que se reinventar. Por conta da experiência prévia com audiovisual decidiu, então, se inscrever no edital emergencial do Governo do Estado criado para atender a demanda de artistas que perderam suas fontes de renda devido a necessidade de restringir a circulação de pessoas para conter a disseminação da Covid -19.  

     

    O projeto de curso online de vídeo dança para bailarinos e profissionais deste meio artístico, foi aprovado e trouxe um “respiro” à profissional autônoma formada pela UFRJ e mestranda pela mesma instituição.  A proposta, baseada em cinco episódios, que ensina profissionais a operar luz, som, entre outros conhecimentos com o objetivo de garantir mais qualidade ao que é produzido digitalmente por artistas da dança.

     

    - Foi um grande susto já que a dança pressupõe o encontro entre as pessoas. O isolamento social mexe com a premissa básica do meu trabalho. Eu precisava de dinheiro para despesas pessoais como alimentação, transporte, pagamento de contas. Trabalhava como terceirizada e meu rendimento de uma hora para outra deixou de existir. Com o valor pude me reorganizar para seguir em frente – contou.

     

    Interior

     

    No interior do estado muitos outros projetos foram contemplados como o apresentado pelo rapaz Fabrício Estevão, de apenas 17 anos. Morador da comunidade quilombola São José da Serra, localizado no município de Valença, Fabrício foi selecionado com um projeto que conta a história do jongo e da comunidade onde vive.

     

    - Foi um momento muito gratificante porque pude apresentar um projeto sobre o jongo, essa dança que é uma tradição. Vou lembrar desta experiência para sempre. Foi uma oportunidade de falar sobre o jongo e mostrar a apresentação que ocorreu no nosso quilombo - disse o menino que reside com a mãe, o pai, a irmã, a avó, o avô e a tia.

     

    O comediante Vinicius Stael não imaginava que o edital emergencial traria tantas oportunidades. Profissional de ‘stand up comedy’ em Cantagalo, na Serra Fluminense, ele apresentou projeto de live de comédia. A repercussão na cidade foi tanta que Vinicius foi convidado a trabalhar na Secretaria Municipal de Cultura.  

     

    - O projeto Cultura Presente nas Redes veio num momento muito difícil para a região. Minhas agendas haviam sido todas canceladas e eu trabalhava com aulas de teatro em ONGs que também pararam. Fui selecionado e a partir daí as coisas começaram a engrenar. A visibilidade foi enorme e eu acabei sendo convidado para trabalhar na prefeitura. A ajuda financeira se tornou um chamariz. Estou muito feliz. Tenho 33 anos e tenho uma filhinha de nove meses. Minha renda sempre foi a comédia, era com ela que eu pagava as minhas contas, a sorte é que tínhamos uma reserva e não chegamos a passar necessidade absoluta - lembrou.

     

    Mauro Teixeira também foi um dos selecionados pelo edital do Governo do Estado. Morador de Cambuci, no Noroeste Fluminense, o músico deixou de fazer shows, sua principal fonte de sustento.

     

    -  O edital atendeu a artistas de todo o estado. A proposta abre visibilidade nas redes sociais em um momento difícil – ressaltou.

     

    O Edital Cultura Presente nas Redes, criado para atender emergencialmente artistas na pandemia, recebeu 6.149 inscrições de todas as regiões do estado. Cada produção recebeu R$ 2,5 mil, um investimento total de R$ 3,750 milhões. A ação só foi possível após a regulamentação do uso dos recursos do Fundo Estadual de Cultura, que estava sem ser usado há mais de 20 anos. Os projetos que já podem ser vistos nas plataformas digitais atendem às áreas de música, literatura, artes visuais, audiovisual, dança, teatro, circo, moda, museus, cultura alimentar e expressões culturais populares.