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Biblioteca Parque dedica espaço à acessibilidade


Por Carolina Perez


Visitantes de todo o estado passam pela Biblioteca Parque Estadual do Centro da cidade do Rio de Janeiro em busca de conhecimento. Para um grupo de pessoas, o espaço vai além: ali encontram histórias e redescobrem o prazer pela leitura. Dedicado aos leitores especiais, o local tem um serviço exclusivo para atender pessoas com deficiência. São cerca de 70 títulos em Braille, com temas que vão desde as publicações infanto-juvenis aos escritores de sucesso, como Dan Brownm. A biblioteca parque também disponibiliza equipamentos adaptados que auxiliam na leitura – softwares e computadores que aumentam as letras ou que fazem a impressão tanto em tinta, quanto em Braille.

– A biblioteca é um espaço fundamental para que a leitura seja democratizada em nosso estado. É multicultural, com teatros, salas de cinema e vídeo. Um espaço que atende a todos os públicos e suas demandas diferenciadas. A parte da acessibilidade é muito importante porque promove oportunidades iguais a todos. Mais do que um lugar para leitura, a biblioteca parque é um espaço de acolhimento – afirmou o superintendente de Leitura e Conhecimento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, Pedro Gerolimich.

O diferencial do setor de acessibilidade é o atendimento oferecido aos frequentadores. A responsável pelo acolhimento é a bibliotecária Janilce Magalhães, que está sempre em busca de capacitação para melhorar o atendimento às pessoas com deficiência.

– Senti a necessidade de estar preparada para atender desde o deficiente auditivo até as pessoas com baixa visão. Fiz minha especialização no Centro de Inclusão Social e, hoje, sou habilitada para lidar com qualquer tipo de deficiência. Não há inclusão de verdade quando existe, mesmo que mínima, uma possibilidade de exclusão – contou Janilce, que tem uma irmã com deficiência auditiva.

Histórias de superação


A perda da visão não impediu que Devanagui Neumann prosseguisse com os estudos. Aluna do curso de Serviço Social, na Universidade Federal Fluminense (UFF), a frequentadora, de 67 anos, se tornou um exemplo para a família.

– Depois que coloquei o pé na biblioteca parque, o mundo de possibilidade se abriu para mim, pois pude expandir a forma de me comunicar com as pessoas. Aqui, por exemplo, tem o DOS VOX (software de leitura de conteúdo). Leio meus e-mails e posso acessar minha rede social. Minha maior felicidade é que meus dois netos estavam fora da escola e, quando um deles viu que eu fiz o Enem e pude entrar na faculdade, ele se motivou a voltar a estudar. Ele me disse que “se minha avó pode, eu também posso” – contou Devanagui.

Sara Santos ainda guarda na memória as coisas que viveu quando enxergava. A jovem perdeu a visão com 14 anos e, hoje, com 20, tem descoberto outra forma de viver.

– Ainda é tudo muito novo para mim, porque perdi a visão há quatro anos. A minha adaptação foi um pouco complicada. Ainda tenho certa dificuldade com questões, por exemplo, de sensibilidade. Quando vim pela primeira vez à biblioteca parque, observei que há muitos materiais acessíveis. Uma das coisas mais bacanas que achei aqui foi a máquina que transforma a escrita em relevo, pois é possível sentir aquilo que estamos escrevendo ou desenhando. Isso é mágico porque não é fácil perder a visão aos 16 anos de idade – relevou Sara, que mora em Belford Roxo, cursa administração no Senac e voltou a sonhar em trabalhar como designer de moda.

Ex-estagiária da biblioteca parque, Vanessa Rodrigues já conhecia o espaço, na época que ainda não havia o setor de acessibilidade. Com a modernização do local, agora é frequentadora assídua. Aos 30 anos, Vanessa, que é professora de rede pública de ensino, utiliza a biblioteca como fonte de material para seus alunos.

– Não basta somente o local ser equipado com as tecnologias assistivas; é importante também ter pessoas capacitadas para operá-las. Por isso, aqui na biblioteca parque encontramos máquinas acessíveis e pessoas que sabem manuseá-las de forma correta. Frequento o local em busca de materiais para meus alunos. Nas minhas turmas, tenho estudantes com deficiência visual e aqueles que enxergam e, por isso, preciso de recursos que atendam os dois públicos. Precisamos ter cada vez mais espaços onde todos possam frequentar com igualdade de condições. Na biblioteca parque do Centro achamos essa condição – comentou Vanessa.

A Biblioteca Parque Estadual funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h. O endereço é Avenida Presidente Vargas, nº 1.261, próximo do Centro Popular do Comércio.